Asfalto bruto e o relógio de André Fortunato
No dia 2 de outubro de 2026, o corredor de Varginha André Fortunato atingiu uma marca histórica ao completar a prova oficial de 10 quilômetros em 32 minutos e 13 segundos, com planos de competir nacionalmente. Correr essa distância nesse tempo exige uma engenharia corporal rigorosa, quase uma ciência exata de combate ao arrasto do ar e ao desgaste das articulações. É o tipo de feito que nos lembra de que o esporte de alto rendimento habita os corpos que treinam no anonimato das nossas subidas e descidas. Fortunato merece estrutura de ponta para buscar seus índices nacionais, e não apenas o aplauso protocolar de quem só aparece na hora da medalha. Apoio ao esporte local se mede em pista de qualidade e orçamento real, não em promessas de gabinete.
Ouro de Minas brilha no tatame de Paris
No dia 8 de outubro de 2026, a seleção brasileira de parataekwondo encerrou a etapa do Grand Prix de Paris, na França, na liderança do quadro de medalhas. Foram seis pódios, sendo dois ouros, três pratas e um bronze. O destaque foi a reedição da final paralímpica na categoria até 65 quilos feminina, com a mineira Ana Carolina Moura, ouro em Paris 2024, superando novamente a anfitriã Djelika Diallo por 2 rounds a 0. Esse desempenho escancara a força de uma modalidade que constrói uma soberania indiscutível. É a vitória do corpo moldado para o combate, da técnica refinada de quem merece reconhecimento permanente no tatame, e não apenas visibilidade passageira. Minas Gerais tem em Ana Carolina uma gigante que dita o ritmo do mundo, e contra o talento da nossa campeã não há defesa que resista.
O valor do trabalho na festa da bola
No dia 8 de outubro de 2026, foi divulgado que mais de 161 mil pessoas de 183 países se inscreveram para trabalhar voluntariamente na Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. O número representa mais que o dobro das 68 mil inscrições da edição de 2023, sendo que 83 por cento dos candidatos atuais são brasileiros. Esse engajamento estrondoso mostra como o futebol feminino mobiliza a paixão popular de forma genuína. No entanto, é preciso analisar o fato social por trás dos números, pois grandes eventos esportivos dependem do trabalho gratuito de milhares de apaixonados para funcionar. O voluntariado é lindo, mas a profissionalização do esporte e a justa valorização de quem faz a engrenagem girar deveriam ser a verdadeira prioridade. O amor à camisa não pode servir de desculpa para o trabalho sem remuneração.
Fontes
Esta coluna é reimpressa em extrato na Edição de Domingo do Varginha Connect (Ano I · nº 08), de 11/10/2026.
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