Rebeca Andrade crava maior nota do mundo no salto em 2026, mas fica fora da final do Brasileiro


Rebeca Andrade na final por equipes da ginástica artística nos Jogos Olímpicos Rio 2016

Rebeca Andrade em competição — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil (CC BY 2.0, Wikimedia Commons)

Nesta sexta-feira (7), no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, a campeã olímpica Rebeca Andrade cravou o Yurchenko com dupla pirueta (DTY) e tirou 14,800 pontos no Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística — a maior nota de um salto no mundo em 2026. Ainda assim, ela não disputará a final do aparelho: pelo regulamento, são necessários dois saltos para concorrer à decisão individual, e a ginasta, junto às comissões da seleção brasileira e do Flamengo, optou por apresentar apenas um.

Rebeca Andrade sorrindo com medalha na Copa do Mundo de Paris 2023
Rebeca Andrade na Copa do Mundo de Paris 2023 — Foto: Sarah Ladot (CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons)

Uma nota para a história (com ressalvas)

A pontuação foi construída com 9,7 de execução, 5,0 de dificuldade do DTY e 0,1 de bonificação pela aterrissagem cravada. Com ela, Rebeca assume isolada a liderança da temporada no salto único — antes, dividia o topo com a japonesa Aiko Sugihara, ambas com 14,533.

Vale a ressalva: a ginástica artística não tem ranking oficial, já que os critérios de julgamento variam entre competições. A “maior nota do mundo” é a melhor marca registrada no recorte da temporada de 2026 — e é um fato: nenhuma ginasta tirou nota maior em salto único neste ano até agora.

O retorno de uma campeã

Depois de mais de um ano de pausa nas competições, Rebeca voltou em junho no Campeonato Pan-Americano, no Rio, e foi ouro no salto, com média de 14,549 (incluindo o bônus de 0,2 por apresentar entradas diferentes). No repertório, ela ainda guarda o Cheng (5,6 de dificuldade) e o Amanar (5,4) — os dois saltos da prata olímpica de Paris, atrás apenas de Simone Biles.

“Foi muito bom. Poder ajudar mesmo só com um aparelho foi maravilhoso” — Rebeca Andrade, sobre contribuir com o Flamengo na disputa por equipes.

A nota de Rebeca valeu para o clube, que se tornou hexacampeão consecutivo por equipes no Brasileiro. No individual geral, Flávia Saraiva conquistou o título inédito com um novo solo ao som de Ney Matogrosso e Luiz Gonzaga. As finais por aparelhos acontecem no fim de semana, com transmissão do sportv 2.

Por que abrir mão da final?

A decisão foi planejada: preservar a atleta de 27 anos e priorizar a preparação para o Mundial de Roterdã, entre 17 e 25 de outubro, primeira competição pré-olímpica do ciclo de Los Angeles 2028. Uma boa colocação por equipes garante a vaga antecipada na Olimpíada. “Controla, controla”, repetiu ela após o salto, admitindo o nervosismo de voltar a competir.

É uma escolha legítima de gestão de carreira — mas com custo: o público brasileiro não verá a maior nota do ano disputando a decisão do aparelho no próprio campeonato nacional. O mesmo peso que a tornou ídolo (competir sempre, em qualquer lugar) agora convive com a estratégia de um ciclo olímpico.

E Varginha com isso?

O exemplo de Rebeca ecoa na base: em Varginha, o Projeto de Ginástica Artística e Acrobática atende cerca de 150 pessoas gratuitamente, com aulas na Semel (bairro São Geraldo), sob coordenação da empreendedora cultural Daniela Borges Tavares, com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e apoio da Fundação Cultural e da Prefeitura. O projeto, que já passou de 10 anos, participa de competições estaduais como a Copa Gym e representa o município em campeonatos — mesmo sem instalações de alto rendimento.

O salto de 14,800 em Brasília é o topo de uma pirâmide que, em cidades como Varginha, ainda se constrói com projetos sociais, ginásios escolares e muito treino fora do horário nobre. A distância entre o DTY de Rebeca e a mureta onde crianças treinam na cidade é grande — mas é exatamente essa a distância que o projeto local tenta encurtar.

Fontes


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