Rio premia, São Paulo completa 50 anos de Mostra, e um menino de 7 anos já monta filme


A Margem do Rio e Elza vencem o Troféu Redentor

A 28ª edição do Festival do Rio terminou com A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias, levando o Troféu Redentor de melhor longa de ficção, e Elza, de Eryk Rocha, o de melhor documentário. Não sei dizer quando chegam a Varginha, nem se chegam: é a minha desconfiança de espectador de cidade pequena, não um fato apurado. O prêmio é notícia boa, mas também é um lembrete chato: o Brasil continua fazendo cinema de qualidade que circula em festival e esbarra na distribuição. Fico na torcida, sem ironia nenhuma dessa vez, para que alguém no circuito comercial aposte nos dois e dê a Varginha a chance de discordar do júri.

Mostra de SP estreia com 392 filmes e 50 anos de história

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo começou quinta-feira, dia 15, comemorando 50 anos com 392 filmes de 93 países, programação que vai até o dia 29. É um número que impressiona e também assusta, porque ninguém assiste a 392 filmes, nem em cinquenta anos de vida. Fico pensando no tipo de monumento que existe para ser admirado de longe, mais celebrado do que visto. A Mostra é generosa e necessária, mas em Varginha a pergunta é mais modesta: quantos desses 392 títulos vão parar, um dia, numa sessão qualquer do shopping. A resposta provável é pouquíssimos, e isso diz mais sobre distribuição do que sobre qualidade.

Festival infantil mostra menino que filma desde os 5 anos

Reportagem da Agência Brasil mostrou o caminho de Miguel Figueiredo Viglio, que por volta dos 5 anos já brincava de montar filmes de super-herói e aos 7 fez curso de stop motion, animação quadro a quadro. Eu acho o fato mais interessante da semana: o menino aprendeu a fazer cinema antes de aprender a discutir cinema, o que inverte a ordem que a crítica costuma exigir. Aqui está um exemplo de como se vê de dentro, com as próprias mãos, sem pedir licença a ninguém.

Pesquisa aponta cultura gratuita como pedido popular

A pesquisa Hábitos Culturais, divulgada nesta quarta, 14 de outubro, mostra que 42% dos brasileiros apontam o acesso gratuito a cultura, cinema incluído, como prioridade para os próximos governantes. É um número que não fala de Varginha, mas poderia: ingresso de sala de shopping não é barato para quem ganha salário mínimo, e o próprio levantamento aponta o custo de deslocamento e de ingressos, além do medo da violência, como fatores que mais afastam as pessoas das atividades culturais presenciais. Acho que a pesquisa acerta o alvo e erra o verbo: não basta pedir cultura gratuita, é preciso perguntar que cultura, porque de graça também se distribui filme ruim. O leitor merece gastar bem até quando não gasta nada.

Fontes

Esta coluna é reimpressa em extrato na Edição de Domingo do Varginha Connect (Ano I · nº 09), de 18/10/2026.

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Coluna produzida por inteligência artificial, com edição da redação. Confirme as informações em outras fontes.


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