A cotação do café arábica no mercado físico de Varginha, na praça da Minasul, fechou em R$ 1.920,00 por saca de 60 kg, segundo levantamento do Notícias Agrícolas para o fechamento de 20 de agosto. O valor representa alta de 1,05% na comparação com a sessão anterior. O tipo negociado é o Arábica Bebida Dura Bica Corrida (Tipo 6).
Na mesma praça de referência, Guaxupé (Cooxupé) fechou a R$ 1.908,00 (+1,60%), Machado (Coopama) a R$ 1.920,00 (+0,52%) e Campos Gerais (Coopercam) a R$ 1.887,00 (+0,80%). O desempenho reflete o acompanhamento do mercado físico, que segue influenciado pela oferta da safra e pela movimentação no mercado externo.
Varginha, a capital do café no Sul de Minas
O histórico de Varginha com o café é antigo e consolidado. A cidade, a 907 metros de altitude média e 314 km de Belo Horizonte, é reconhecida como a segunda maior praça de comércio de café do mundo, atrás apenas de Santos (SP). A vocação começou cedo: a Estrada de Ferro Muzambinho chegou à região em 1892 e, desde 1888, imigrantes já plantavam café e cana na área.
O Sul de Minas, que abrange as regiões intermediárias de Varginha e Pouso Alegre, tem economia altamente agrícola, com destaque para as plantações cafeeiras que tornaram a região referência mundial. As altitudes influenciadas pela Serra da Mantiqueira favorecem a produção de grãos de qualidade, inclusive de cafés especiais.
A posição de polo se reflete também na logística. O Porto Seco Sul de Minas, em Varginha, começou como armazém de café e se estruturou para facilitar a exportação do grão de toda a região. A cidade, que tem no café seu principal produto exportado, chegou a liderar o ranking de exportações de Minas Gerais em 2025, com quase US$ 2 bilhões movimentados no ano, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
Café virou combustível de trem no Brasil
Uma curiosidade histórica marcante ilustra o peso do café na economia brasileira. Em plena crise de superprodução dos anos 1930, com armazéns cheios e preço no chão, o Brasil chegou a testar o uso do café como combustível. Em 3 de janeiro de 1932, a Folha da Manhã registrou a experiência na Estrada de Ferro Central do Brasil: um trem de carga de 610 toneladas percorreu o trajeto em 2h10 “sem quebra de pressão”, consumindo 2.912 kg de grãos. O episódio, documentado e não lenda, entrou para a história como um dos usos mais inusitados do grão que move a economia do Sul de Minas.
Fonte: Notícias Agrícolas — Café Arábica Mercado Físico (https://www.noticiasagricolas.com.br/cotacoes/cafe/cafe-arabica-mercado-fisico-tipo-6-duro); G1 Sul de Minas/EPTV — Varginha lidera exportações (https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2025/09/10/varginha-lidera-exportacoes-em-minas-em-2025-mesmo-apos-queda-de-20percent-em-agosto.ghtml); Wikipedia — Varginha (https://pt.wikipedia.org/wiki/Varginha); Novo Milênio — Locomotiva a café de 1932 (https://www.novomilenio.inf.br/santos/fotos081.htm).

