O projeto da Ferrovia do Café, corredor ferroviário que pode ligar o Sul de Minas aos portos do Rio de Janeiro, ganhou um novo capítulo nesta semana: o presidente do Sistema Fecomércio MG, Sesc e Senac, Nadim Donato, participou de reunião de trabalho com os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) Antonio Anastasia, Bruno Dantas e Odair Cunha para tratar do cronograma de recuperação e modernização dos trechos ociosos da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA).
A ideia é transformar a chamada Ferrovia do Café em um corredor de mão dupla: levar café e outros produtos mineiros — de cidades como Varginha, Três Corações e Lavras — até os portos fluminenses e trazer mercadorias no caminho de volta. Na avaliação de Donato, aproveitar os dois sentidos da malha reduz o custo da operação e pode baratear produtos que chegam a Minas Gerais.
R$ 1 bilhão e leilão em outubro
Grupos privados já demonstraram interesse em investir mais de R$ 1 bilhão na recuperação dos trechos, segundo a Fecomércio MG e a Fecomércio RJ, que articulam a iniciativa. O leilão de concessão está previsto para outubro, com acompanhamento do TCU; as obras podem começar entre dois e quatro anos após a assinatura dos contratos.
O impacto logístico explica a prioridade: os custos de transporte respondem por cerca de 41% do preço final do café convencional e 31% do café especial, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). Minas Gerais produz cerca de metade da safra nacional — estimada em 45,8 milhões de sacas em 2026 — e o Sul de Minas concentra a maior produção de arábica do país. Em maio, o governo federal assinou acordo de renovação da concessão da FCA com a devolução de cerca de 3.110 quilômetros de trechos inativos, parte dos quais pode abrigar o novo projeto.
Ferrovia e café: um casamento centenário
A aposta de hoje repete, em escala moderna, uma história que já movimentou a região há mais de um século. A Estrada de Ferro Minas e Rio (1884–1910), que deu origem à Rede Sul Mineira, transportava cerca de 2,5 mil toneladas de café por ano do Sul de Minas em direção ao Rio de Janeiro — um dos primeiros corredores ferroviários do produto no país. No mundo, o padrão se repetiu: a Santos–Jundiaí (1867) escoou o café paulista para o porto, e a ferrovia de Uganda, inaugurada em 1901, levou o café do interior africano até o porto de Mombaça. A diferença é que, agora, os trilhos disputam espaço com os caminhões — e quem vencer, barateia o grão.
Fontes: Varginha Online — 19/08/2026 · Revista Fórum — 29/07/2026 (dados da Rádio Itatiaia e CNT) · Unifal-MG (história da E. F. Minas e Rio).

